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Os viajantes do vento

original em inglês Adrienne Geoghegan e Heloisa Prieto
tradução Victor Scatolin
ilustração Adrienne Geoghegan
1960. Maureen Haughney, dezenove anos, sonha com o Brasil antes de deixar sua casa em Stoneybatter, Dublin, Irlanda, rumo a Rio Grande do Sul com seus pais e três irmãos mais novos. Muitos anos se passarão antes que ela regresse, em circunstâncias totalmente inesperadas.

2018. Briana, 19 anos, chega em Dublin tentando realizar seu sonho de tornar-se uma jovem escritora. O entrelaçamento dos diários de Maureen e sua neta Briana, convida os leitores a desvendar segredos mágicos, surpreendentes. Como é ser jovem em duas épocas e culturas diferentes?

Defesa do meio ambiente, luta contra o preconceito, a busca de justiça social, ativismo humanitário, tradições afro brasileiras e celtas emprestam encanto e emoção à narrativa, constituindo-se como um tecido de sutis saberes ancestrais.

Os viajantes do vento

trecho inédito

diário de Brianna

Dublin

2018

Me chamo Brianna.

Maureen Haughney, minha avó, veio da Irlanda, a terra dos mitos e das lendas, como ela costumava dizer. Meu avô atravessou o país para se estabelecer nos Pampas, na região austral da Patagônia, na Argentina, que também é conhecida como a terra do fogo.

Brianna construiu essa peça pouco antes de deixar São Paulo rumo à Dublin. Ela se inspirou no desejo de seguir os mesmos passos que sua adorada Nana Maureen. A caixa em si é uma gaveta de armário de uma antiga farmácia. A boneca estava guardada na caixa de brinquedos velhos de Maureen. Ela a deu de presente para Brianna dizendo: “Eu sempre quis inserir minha boneca numa obra minha, mas nunca encontrei o espaço adequado. Talvez ela combine mais com uma de suas criações.

Eles se conheceram nos Pampas, as planícies ventosas do Rio Grande do Sul, no Brasil.

Eles se chamavam os Viajantes do Vento.

Eu adoro esse nome.

Realmente acredito que nós herdamos histórias. De todos os tipos.

E essas histórias são as guardiãs dos segredos. Mas e os segredos de família?

Eles devem revelar ou só descansar em paz?

“Querida e irrequieta Brianna…”

É o que minha Nana Maureen gosta de dizer ...

Acabei de chegar em Dublin e já sinto sua falta.

A voz, a risada, a sabedoria dela.

Na verdade, dela, tudo me faz sorrir.

Histórias também podem ser guardiãs de sonhos.

Histórias de família precisam de vozes ... Eu serei a voz da minha Nana Maureen. Ela sempre foi uma esplêndida contadora de histórias, conhecendo contos de magia, de fadas, mitos celtas, anedotas, histórias reais, e causos de infância.

Tenho sorte de ter herdado o cabelo ruivo ondulado e os olhos verdes escuros. Eu tenho a pele amarelada do meu pai. É rara essa combinação genética.

Minha mãe diz que eu tenho o riso dela, e a voz.
Mas, acima de tudo, quero ser a porta-voz de sua história de vida.

Oxum, deusa do amor e das cachoeiras, usando uma coroa celta, criação da personagem Maureen.
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